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Curso de Hipnose
Material
de Curso de Hipnose Gratuito
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A atitude da profissão médica. -Eu desejaria que cada médico
compreendesse bem, aqui, a simplicidade da sugestão hipnótica, mas receio
que, em virtude da sua educação puramente material, seja levado a
desdenhar de um meio de tratamento tão simples e escoimado de todo
mistério. O conflito humano na lei divina da cura tem sempre exigido,
infelizmente, que julguemos do valor de um médico pela dificuldade de
tomarmo-lo e pela sua natureza desagradável. Avaliamos uma operação
cirúrgica na proporção do seu perigo. Estimamos o valor de uma droga pelo
seu efeito destruidor sobre os tecidos e pelas propriedades venenosas,
quando se administra em alta dose.
As forças mais simples são as mais poderosas. -Não compreendemos ainda
como os meios mais simples são também os mais poderosos e que a força de
sugestão é o fator mais poderoso da felicidade humana, da saúde, da miséria
e da moléstia. O espírito tem sempre governado e governará sempre. Por
isso, devemos consagrar o nosso estudo à lei da cura que atingir o espírito de
modo mais direto.
LIÇÃO XVI
Método para influenciar as mulheres nervosas. -Instalai confortavelmente a
paciente sobre um sofá e dai-lhe, depois, as direções seguintes: "Fazei
exatamente tudo o que eu vos disser que façais. Far-vos-ei dormir
contando em voz alta certos números e, enquanto eu contar, devereis abrir os
olhos e fechá-los em seguida. Agora fechai os olhos e conservai-os fechados
até que eu comece a contar "um"; abri-os por um segundo, olhai-me e
fechai-os de novo. Quando eu contar "dois", abri-os por um segundo e
fechai-os de novo, etc". Depois, continuai a contar brandamente de um a
vinte e fazei uma pausa de dez segundos entre cada número. Recomeçai de
novo em "um" e desta vez fazei uma pausa de quinze segundos entre cada
número." Nunca fui obrigado a continuar este método além do número três:
naquele momento, o doente tinha tanta vontade de dormir, à força de se
aplicar a seguir o curso das minhas direções, e o seu desejo de seguir este
simples exercício era tal, que ele adormecia rapidamente, depois de algumas
sugestões tranqüilizadoras.
Porque este método surte bom efeito. -A filosofia deste sistema é: 1º) que ele
não apresenta nenhuma dificuldade ao doente; 2º) que mantém alerta a
atenção até que o torpor apareça; 3º) que o simples ato de abrir e fechar os
olhos produz, freqüentemente, uma sensação de peso sobre as pálpebras, e
isso é, por si mesmo, uma forte sugestão para o sono; 4º) que o fato de
estarem os olhos fechados torna o doente mais sensível às sugestão e à idéia
do sono, impedindo que o doente veja os objetos que o cercam, e é por isso
que o espírito se toma imediatamente menos ativo e hostil à operação. Os
médicos têm me dito que, por este meio, conseguiram, em alguns casos mais
obstinados, induzir um sono profundo. Seria um grande erro supor que, pelo
fato de não haver um método dado bons resultados com um doente, não
poderia este dormir por nenhum outro método.
Valor de uma mudança de método. -Sucede muitas vezes, que, com essa
mudança de método, podeis conseguir a indução de um sono profundo e o
sonambulismo numa pessoa que sempre considerastes como um paciente
impossível.
Explica-se isto pelo modo seguinte: "Assim como o caráter e a
aparência de dois homens nunca são idênticos, assim também nenhum
método terá a mesma influência sobre todos. Mas entre essa abundância de
material dado aqui, podereis tirar alguma coisa que convirá a cada indivíduo,
normal ou anormal, e perseverando-.se com assiduidade, sem admitir
nenhum fracasso, o bom êxito final está garantido, pois que o segredo da
hipnose é essencialmente o segredo de produzir uma boa impressão sobre o
espírito de outrem.
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LIÇÃO XVII
O hipnotismo para o dentista. - Aquele que conhece a sugestão hipnótica e
que compreende a sua aplicação, aprecia muito as inúmeras oportunidades
que se apresentam na prática de um dentista para aplicar nos seus doentes
esta ciência, como meio de fazer desaparecer a dor durante a operação sobre
um dente dolorido. Mas, em geral, os dentistas preferem servir-se daquela
droga pérfida chamada "cocaína", do que induzir a analgesia pelo processo
natural que a natureza deu ao homem. O homem possui a força para reprimir
a idéia, e o emprego de uma droga qualquer para tal efeito é uma infração às
leis da natureza, a qual se fará sentir amargamente. Hoje não existe nenhum
hábito de droga tão difícil de combater e que aumenta tão rapidamente como
o hábito da cocaína; o emprego exagerado dessa substância pelo dentista e
pelos médicos é uma matéria que demanda a vigilância do governo.
Pouquíssimas pessoas sabem que a cocaína faz mais vitimas do que o álcool.
O objeto brilhante empregado como método. -Em todos os gabinetes
dentários há discos e instrumentos de níquel ou de prata como brilhantes.
Um objeto brilhante atrai mais facilmente a atenção do doente do que um
objeto sombrio, e o modo de atenuar a dor de uma operação dentária e, às
vezes, extingui-la completamente, cifra-se no dentista fazer ao doente
sugestões verbais muito enérgicas, enquanto lhe pede que fixe os olhos sobre
um objeto colocado diante dele, a uma distância de cerca de dois pés e tendo
quase duas polegadas de diâmetro.
Evitai a palavra hipnotismo. -Relativamente ao que se vai seguir, é inútil, e
seria mesmo um erro, que o dentista empregasse a palavra hipnotismo.
Deverá somente fazer compenetrar-se o seu doente do fato de que, se quiser
seguir as suas instruções, não sentirá praticamente nenhuma dor em relaçãoà operação. Ele poderá, em seguida, tratar de induzir o sono, empregando as
mesmas fórmulas dadas nas lições precedentes e não sentirá nenhuma
dificuldade em tornar profundo esse sono. Deverá, então, dirigir-se ao
dormente como se dirigisse a uma pessoa inteiramente acordada e dirá:
"Quando eu passar a minha mão pelo vosso rosto, abrireis a boca e ela ficará
aberta até que eu vos ordene que a fecheis. Não sentireis até que eu vos
ordene que a fecheis. Não sentireis nenhuma dor nem mal-estar ou
nervosidade enquando eu obturar este dente; quando eu vos disser que vos
levanteis e laveis a vossa boca, não acordareis. Fareis tudo quanto eu vos
ordenar que façais, mas não vos despertareis. Depois da operação, não tereis
nenhuma recordação do que vos sucedeu; não experimentareis nenhuma dor
nem mal-estar algum". Ainda que em geral, os médicos, na sua prática diária
da sugestão hipnótica, não lhe apreciem o valor como meio de atenuar a dor,
reconhece-se hoje que, nos Estados Unidos, um grande número de dentistas
emprega continuamente o hipnotismo e estes poderiam referir, se o
quisessem, muitas operações admiráveis que foram realizadas sem dor, por
meio do hipnotismo.
LIÇÃO XVIII
O hipnotismo aniquilador da dor. -Na época em que o doutor Esdaile fazia
operações cirúrgicas, nas Índias, servindo-se da anestesia hipnótica e em que
o doutor Ellizon aplicava, na Inglaterra, os mesmos meios, a descoberta do
valor do clorofórmio e do éter como agentes da supressão dos terrores que
apresenta a cirurgia, lançou o hipnotismo completamente na sombra.
Apagou-se o seu facho em realidade e o médico pode dispensar-lhe o
concurso. Ainda que o clorofórmio, muito longe de satisfazer
completamente, destrua quase tanta gente quanto a própria moléstia,
podemos reconhecer-lhe o valor e conceder-lhe o direito de agente benéfico,
contanto que seja criteriosamente utilizado. Mas isto nada tem que ver com o
fato da existência no homem, de uma força capaz de prover e prevenir o
retrocesso do sofrimento.
A força do homem.-Achando-se a força no interior, só temos que agir para
pô-la em prática. Podemos fazê-la aparecer melhor durante o hipnotismo,
pela forte sugestão de uma ordem. A ordem: "Não haverá mais
padecimento", equivale à resposta do doente, que tem por efeito o não
admitir que ele sofra nenhuma dor. É, pois, fácil de compreender que a força
jaz essencialmente dentro do enfermo. É a sua própria força posta em ação
por outrem. Ele poderia duvidar dela, deixar de crer nela. Ainda que não
estivésseis nas condições de convencê-lo, essa força reside, não obstante,
nele. Mais eis aqui a explicação lógica de toda a questão.
A dupla natureza da força. -As forças do corpo são sempre duplas, correm
sempre paralelamente. Estamos constantemente em presença de duas forças:
a impulsiva e a proibitiva; a que age e a que detém, a que sofre e a que
impede o sofrimento. Só a consideração de que o doente se acha em estado de sentir a dor é um argumento suficiente para provar que ele tem também o
poder de acalmá-la.
A exaltação do êxtase religioso. -Há uma condição da ação do espírito
exaltado que foi caracterizado no caso dos primeiros mártires cristãos. Ele é
de tal modo superior ao sofrimento físico que, ainda que as pessoas em
questão não se achassem de modo algum sob a influência do hipnotismo,
mas estivessem em plena posse das suas faculdades, elas não sentiriam o
ferro em brasa nem o azorrague nem o eleito das cadeias. O padecimento
físico se transformava em êxtase de alegria. Não se pode dizer que essas
pessoas se achassem sob o império de um frenesi religioso; já não há razão
tampouco para dizer-se que elas eram inspiradas por Deus para suportar o
sofrimento. A pura verdade é que Deus implantou no ser humano uma força
que subjuga e domina os padecimentos; ela pode ser posta em ação desde
que se descubra o seu verdadeiro estimulo e a aplicação dele. Em alguns
casos, esse estímulo se tem revelado sob a forma de um choque repentino,
causado por notícias alarmantes, como nos casos de pessoas que se acham na
cama e que repentinamente se encontram curadas dos seus achaques, ao
recebimento de uma notícia aterradora. Ela pode, também, tomar
perfeitamente a forma de uma sugestão hipnótica, como quando o operador
ordena ao padecimento que desapareça.
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