Introdução ao curso de xadrez:
O sistema educacional brasileiro enfrenta muitos problemas decorrentes
basicamente da desvalorização da profissão do magistério.
Os baixos salários a que os professores têm que se submeter
os levam a dupla jornada de trabalho, obstaculizando uma condição
sine qua non da atividade docente: estar em constante aperfeiçoamento.
Os alunos das escolas públicas, que na sua maioria têm
precárias
condições econômicas, não encontram eco para
suas indagações e anseios,
desinteressando-se rapidamente pelas atividades escolares, o que os
deixa
próximos à repetência, e posteriormente, à
evasão escolar.
O quadro torna-se mais caótico quando se observa a utilização
de
propostas pedagógicas desconectadas da realidade brasileira,
fruto de
modismos importados, ou de imposições feitas pelo MEC,
nas quais nota-se
pouca ou nenhuma participação dos professores que serão
responsáveis pela implementação das mesmas.
Num mundo em constante transformação, onde a capacidade
de pensar
com autonomia é mais importante que a simples memorização
de dados
estanques, a escola deve repensar sua ação educativa buscando
superar essa situação.
É nesse contexto que apresentamos a seguir esta proposta, que
buscará
sistematizar algumas reflexões sobre xadrez e educação.
A HISTÓRIA DO XADREZ
Há aproximadamente mil e quinhentos anos, na Índia, surgiu
o
Chaturanga, que se transformou no atual jogo de xadrez.
Por intermédio de muitas guerras e na busca por novas rotas comerciais,
o xadrez foi introduzido nos países ocidentais, e na Idade Média
passou por
algumas metamorfoses que o conduziram à forma atual.
A característica principal do xadrez praticado na Idade Média
era a
profunda elitização que sofria, sendo chamado “jogo
dos reis e rei dos jogos”.
Uma mudança importante se deu no século XV quando Gutenberg
criou
o tipo móvel, possibilitando a impressão de livros de
xadrez, como é o caso do Arte breve y introduccion muy necessaria
para saber jugar el Axedrez
(LUCENA, 1497). A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro possui um dos
poucos exemplares deste livro existentes no mundo. Com a proliferação
dos
livros de xadrez ocorreu a primeira democratização significativa
do jogo.
A segunda democratização ocorreu na Europa do leste, já
no início
deste século, quando a recém-formada URSS adotou-o como
complemento à
educação, tornando-se hegemônica nesse esporte.
A Internet representa o apanágio dessa terceira revolução
por
possibilitar o acesso quase instantâneo às informações
referentes às partidas jogadas em torneios no mundo todo.
Após esta introdução abordaremos a história
do xadrez mais
detalhadamente focalizando escolas de pensamento, fatos e enxadristas
mais importantes de cada período.
A NATUREZA DO JOGO DE XADREZ
Certa vez um jornalista perguntou ao Grande Mestre Internacional1
Savielly Tartakower quem era o melhor enxadrista de todos os tempos
e
recebeu a seguinte resposta: se o xadrez é uma ciência
o melhor é
Capablanca; se o xadrez é uma arte o melhor é Alekhine;
se o xadrez é um
esporte o melhor é Lasker2. Teceremos a seguir alguns comentários
relacionando o xadrez com estas três áreas do conhecimento.
CIÊNCIA
Uma definição possível de ciência é:
“conjunto organizado de
conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos
mediante a observação, a experiência dos fatos e
um método próprio”.
(FERREIRA, 1986 p. 404). Vamos agora examinar o xadrez tendo por base
essa definição de ciência.