Aprenda a Investir na Bolsa de Valores

3. MERCADO SECUNDÁRIO DE AÇÕES NA BOVESPA

3.1 Diferença entre Mercado Primário e Mercado Secundário

O Mercado Primário compreende o lançamento de novas ações no mercado; é uma forma de captação de recursos para a empresa. Uma vez ocorrendo esse lançamento inicial ao mercado, as ações passam a ser negociadas no Mercado Secundário, onde ocorre a troca de propriedade de título. Ou seja, no Mercado Primário, quem vende as ações é a companhia, usando os recursos para se financiar. No Mercado Secundário, o vendedor é você (investidor) que se desfaz das ações para reaver o seu dinheiro. Por isso, os negócios que você realiza em Bolsa de Valores correspondem ao Mercado Secundário.

3.2 Instituições

3.2.1 CVM – (Comissão de Valores Mobiliários)

Órgão responsável pela regulamentação e fiscalização do mercado de ações.

3.2.2 BOVESPA e SOMA

3.2.2.1 Bovespa – (Bolsa de Valores de São Paulo)

Principal Bolsa de Valores do país, onde são realizadas a compra e venda de ações.

3.2.2.2 SOMA – Sociedade Operadora do Mercado de Ativos S/A

Empresa responsável pela administração do mercado de balcão organizado no Brasil.

O seu objetivo é oferecer um ambiente eletrônico para negociação de títulos e valores mobiliários e demais ativos financeiros ao mercado.

Ativos negociados:

a) títulos e valores mobiliários, de companhias de capital aberto, registrados na CVM para negociação (ações, debêntures, recibos de carteira de ações e outros);

b) títulos e valores mobiliários emitidos por sociedades beneficiárias de recursos oriundos de incentivos fiscais, registrados na CVM;

c) certificados de investimento em obras audiovisuais;

d) quotas de fundos de investimento fechados, que tenham sido objeto de distribuição pública;

e) TDA – Títulos da Dívida Agrária emitidos pelo Tesouro Nacional, com registro na CETIP – Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos.

A SOMA é uma sociedade anônima de capital fechado controlada pelos principais intermediários financeiros: sociedades corretoras de valores, bancos de investimento e sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários.

3.2.3 Corretoras

São as instituição que estão autorizadas a comprar e vender ações na Bolsa de Valores para os seus clientes. As Corretoras constituem instituições financeiras membros das Bolsas de Valores, credenciadas pelo Banco Central, pela CVM e pelas próprias Bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, a negociar valores mobiliários com exclusividade no pregão físico (viva-voz) ou eletrônico da BOVESPA.

3.2.4 Home brokers

Para permitir que cada vez mais pessoas possam participar do mercado acionário e, ao mesmo tempo, tornar ainda mais ágil e simples a atividade de compra e venda de ações, foi criado um moderno canal de relacionamento entre os investidores e as Sociedades Corretoras da BOVESPA: o Home Broker.

De forma semelhante aos serviços de Home Banking, oferecidos pela rede bancária, os Home Brokers das Corretoras estão interligados ao sistema de negociação da BOVESPA e permitem que o investidor envie, automaticamente, através da Internet, ordens de compra e venda de ações.

Para investir em ações via Internet, é necessário que o investidor seja cliente de uma Corretora da BOVESPA que disponha dessa facilidade. Para sua segurança, antes de iniciar seus negócios, certifique-se de que se trata de uma Corretora da BOVESPA.

Veja os principais números desse mercado:

Data

Volume de operações R$

Participação no total da Bovespa

dez/00

190.414.000

0,91%

dez/01

281.560.000

1,25%

dez/02

496.664.050

2,60%

dez/03

1.430.877.333

3,51%

jan/04

2.120.431.601

3,99%

fev/04

1.418.159.260

3,38%

mar/04

2.019.850.669

4,24%

Data

Número de Investidores / mês

Valor médio por operação R$

dez/00

5.182

36.745

dez/01

6.763

41.632

dez/02

9.928

50.027

dez/03

18.095

79.076

jan/04

23.700

89.470

fev/04

17.302

81.965

mar/04

21.042

95.991

Última atualização 05/04/04
Por Fonte: Bovespa

3.2.5 Clearing house (Câmara de compensação)

Ligada à Bolsa, garante a liquidação do contrato, e para isso exige margem de garantia para os participantes através de seus corretores.

3.3 Tipos de ordens

Os tipos mais comuns de ordem são:

a) mercado: executada quando recebida, ao melhor preço

b) administrada: investidor especifica somente o valor total e as características dos valores mobiliários ou direitos que deseja comprar ou vender. Seleção fica a critério da corretora

c) discricionária: administrador de carteira ou representante de mais de um comitente estabelecem condições de execução da ordem. Depois de executada, que autorizou a operação discriminará quantidades e preços atribuídas a cada comitente;

d) limitada: fixa limite de preços. Executada dentro do limite, ou por preço melhor

e) casada: para compra com recursos de venda prévia, ou de venda para suprir recursos de compra prévia

f) de financiamento: compra (ou venda) em um tipo de mercado e outra concomitante de venda (ou compra) de igual valor mobiliário no mesmo ou em outro mercado, com prazos de vencimento distintos

g) de stop: para parar uma perda

h) para o dia: cancela se não for cumprida naquele dia

3.4 Mercado à vista

Negócio com ativos, títulos e valores mobiliários que se liquida a vista.

3.5 Mercado a termo

Mercado a termo é toda a compra ou venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado, a contar da data de sua realização em pregão, resultando em um contrato entre as partes.

Todas as ações negociáveis na BOVESPA podem ser objeto de um contrato a termo.

O prazo do contrato é preestabelecido.

O preço a termo de uma ação resulta da adição, ao valor cotado no mercado à vista, de uma parcela correspondente aos juros, que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato.

Toda a transação a termo requer um depósito de garantia na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC, que é a empresa responsável pela liquidação e controle de risco de todas as operações realizadas na BOVESPA. O Agente de Compensação e a Corretora, responsáveis pela operação a termo, poderão solicitar de seus clientes o depósito de garantias adicionais àquelas exigidas pela CBLC.

Esta garantia é prestada em forma de margem. A CBLC avalia a volatilidade e a liquidez das ações e as condições gerais das empresas emissoras, classificando os papéis em diferentes intervalos de margem. Como regra geral, os papéis com maior liquidez e menor volatilidade enquadram-se nos menores intervalos de margem. Sempre que ocorrer redução no valor de garantia do contrato, decorrente de oscilação na cotação dos títulos depositados como margem e/ou dos títulos-objeto da negociação, será necessário o reforço da garantia inicial, que poderá ser efetuado mediante depósito de dinheiro ou demais ativos autorizados pela CBLC. Os direitos e proventos distribuídos às ações-objeto do contrato a termo pertencem ao comprador.

Ao realizar uma operação a termo o aplicador incorre nos seguintes custos: taxa de corretagem, taxa de registro, emolumentos e tributação.

As principais vantagens desse tipo de operação consistem em permitir ao investidor proteger preços de compra, diversificar riscos, obter recursos e alavancar seus ganhos.

3.6 Livro de ofertas

Ordem de compra ou venda registrada no quadro de ofertas do pregão de uma bolsa de valores ou de mercadorias, com especificação de quantidade e preço.

Em condições iguais ou mais favoráveis, tem prioridade de fechamento sobre as demais operações de pregão.

O preço da ação é formado pelos investidores do mercado que, dando ordens de compra ou venda de ações às Corretoras das quais são clientes, estabelecem o fluxo de oferta e procura de cada papel, fazendo com que se estabeleça o preço justo da ação. A maior ou menor oferta/procura por determinada ação, que influencia o processo de valorização ou desvalorização de uma ação, está relacionada ao comportamento histórico dos preços e principalmente às perspectivas futuras de desempenho da empresa emissora da ação. Tais perspectivas podem ser influenciadas por notícias sobre o mercado no qual a empresa atua, divulgação do balanço da empresa (com dados favoráveis ou desfavoráveis), notícias sobre fusão de companhias, mudanças tecnológicas e muitas outras que possam afetar o desempenho da empresa emissora da ação.

3.7 Liquidação

1) Processo de quitação no STR – Sistema de Transferência de Reservas , do saldo dos direitos e obrigações de um banco, decorrente da apuração de sua posição multilateral líquida ao final de um ciclo

2) Última etapa do processo de compra e venda de ativos ou valores mobiliários, quando dinheiro e ativo negociado trocam de proprietário.

3) Conjunto de atos visando a realizar o ativo das instituições financeiras em dissolução, pagar-lhes o passivo e compartir o saldo que houver, segundo determine a lei ou o contrato em cada caso

4) No mercado futuro, processo de encerramento de posições assumidas em determinado mercado

Dependendo da modalidade de negociação (futuro, opções, termo etc), ela pode acontecer a qualquer momento até o último dia marcado para negociação.

A liquidação pode ser física, onde ocorre efetivamente a entrega do bem no qual o contrato estava referenciado, ou financeira, feita por diferença de preços.

3.8 Custos e tributação

3.8.1 Custos de Transação:

Sobre as operações realizadas no mercado a vista, incidem a taxa de corretagem pela intermediação – livremente pactuada entre o cliente e a Corretora e incidente sobre o movimento financeiro total (compra mais vendas) das ordens realizadas em nome do investidor, por uma mesma Corretora e em um mesmo pregão – os emolumentos e o aviso e o aviso de negociação com Ações – ANA, cobrado por pregão em que tenham ocorrido negócios por ordem do investidor, independentemente do número de transações em seu nome (esse aviso, no momento, está isento de custo por tempo indeterminado).

3.8.2 Tributação

O ganho líquido obtido pelo investidor no mercado a vista é tributado à alíquota de 15% de imposto de renda, como ganho de renda variável. O ganho de renda variável é calculado da seguinte forma: preço de venda menos o preço de compra e menos os custos de transação (corretagem, taxa ANA e emolumentos).

Pode também ser compensado o prejuízo em outros mercados (ex.: opções) no mesmo período, exceto operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day-trade), que somente poderão ser compensados com ganhos em operações da mesma da mesma espécie (day-trade).

3.9 Nota de corretagem

Documento que registra a operação realizada em bolsa, com indicação da espécie, quantidade de títulos, preço, data do pregão, valor da negociação, da corretagem cobrada e dos emolumentos devidos.

3.10 Dividendos, bonificações e subscrições

Dividendos:

Quando uma empresa vai bem, ela divide os lucros com quem tem suas ações. Isso são os dividendos. Ou seja, os dividendos correspondem à parcela de lucro distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, apurado ao fim de cada exercício social. A companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado.

Bonificação:

Distribuição de resultados da companhia mediante emissão de ações, quando de incorporação de reservas ao capital social. As ações bonificadas são entregues gratuitamente aos acionistas, na proporção da quantidade de ações possuídas.

Subscrição:

A Subscrição é um aumento de capital deliberado por uma Empresa, com o lançamento de novas ações, para obtenção de recursos. Os acionistas da empresa têm preferência na compra dessas novas ações emitidas pela companhia, na proporção que lhe couber, pelo preço e no prazo preestabelecidos pela empresa. Essa preferência detida pelos acionistas é chamada de Direito de Subscrição. O Direito de Subscrição é um ativo negociado no pregão da BOVESPA, no decorrer do prazo preestabelecido para o exercício do Direito de Subscrição. Transcorrido o prazo, o ativo deixa de existir.

26 comentários

  1. Gisa

    É realmente uma ótima oportunidade para quem quer começar a investir e não sabe como. Parabéns pela iniciativa.

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