Curso História da Arte Renascentista

Arte renascentista (Pós-Renascentista)

Renascimento (contexto histórico)
Chamado também de renascença, o renascimento marca o período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Vamos entender um pouco seu contexto histórico.
É impossível determinar datas exatas para o início e fim deste período, mas estima-se que tenha ocorrido do final do século XIV ao final do século XVII. Historiadores definem marcos históricos, mas a transição foi gradual.

A peste negra, o declínio do sistema feudal, o fortalecimento das cidades e do comércio, entre outros fatores, favoreceram o renascimento cultural. O renascimento começou na Itália.
Este período foi nomeado “renascimento” porque retoma alguns ideais greco-romanos da antiguidade, como abordagens mais racionais, humanistas e naturalistas.
Outros fatores favoreceram e impulsionaram o renascimento: a invenção da bússola, os avanços na navegação levando à descoberta de continentes e o surgimento da imprensa (os livros não precisavam mais ser manuscritos). Além disso, havia outros materiais disponíveis como a tinta a óleo (possibilitando mais tonalidades de cores), a tela e o cavalete.

O renascimento teve três fases:

  • Trecento: início da renascença.
  • Quattrocento: auge do movimento renascentista.
  • Cinquecento: expansão para outras partes da Europa.

Maneirismo
O nome surgiu da palavra italiana maniera, que significa maneira, forma de fazer. O maneirismo foi assim denominado porque os artistas se esforçavam por deixar suas marcas pessoais nas obras. É um movimento paralelo ao Renascimento, que, segundo os historiadores de arte, exibe as tensões sociais do período (aproximadamente de 1500 a 1600).
Ao invés dos valores clássicos, o maneirismo exibe figuras humanas alongadas ou disformes, sob ângulos inusitados e com luz e sombra absurdas. Além disso, algumas pinturas exibem rostos melancólicos em roupas de cores brilhantes. O maneirismo vai de encontro aos conceitos classicistas. O termo foi usado pela primeira vez por Giorgio Vasari, considerado o primeiro historiador de arte.
Na arquitetura havia mais liberdade e as formas puderam ter mais detalhes. Os edifícios geralmente tinham exterior menos decorado que o interior, mas há também prédios com exterior ricamente adornado com esculturas em forma de caracóis. Nos interiores, decoração refinada e por vezes excessiva. As escadas em espiral tornaram-se comuns.

As esculturas por vezes exibem formas contorcidas e distantes da realidade. Há exemplares que retratam um conjunto de figuras humanas entrelaçadas (figura serpentinata) em posições impossíveis, mas sem perder a graciosidade. Nas igrejas, eram comuns os relicários (guardar relíquias) e os retábulos (decorar o parede atrás do altar).
Talvez tenha sido na pintura que o maneirismo teve mais expressão. As obras maneiristas rompem com os conceitos de perspectiva, simetria e proporção que o renascimento resgatou. Há figuras humanas distribuídas em planos paralelos irreais, com roupas em cores intensas e sob diferentes pontos de vista. Às vezes os rostos ou os corpos são alongados e as obras têm uma atmosfera de sonho ou drama.
Na literatura, algumas obras denotam maneirismo, mesmo que estejam classificadas por alguns historiadores como renascentistas. Algumas características do maneirismo na literatura são: o desencanto, a melancolia e os personagens com personalidades complexas (não mais dualistas). O maneirismo, assim como a arte renascentista, também teve abrangência geográfica.

Alguns artistas maneiristas famosos são:
Andrea Palladio (com a Villa Rotonda, exemplar arquitetônico); Giambologna, na escultura (O Rapto das Sabinas e outras obras) e El Greco, Tintoretto e Arcimboldo na pintura. Muitos outros artistas trabalharam nos conceitos do maneirismo.

Barroco
O barroco aproveita-se das técnicas renascentistas e usa a paixão do maneirismo para criar um estilo pomposo e emotivo. Assim como o Maneirismo, o Barroco também surgiu na Itália e depois apareceu em outras partes da Europa. A maioria dos historiadores de arte afirma que a arte barroca foi a produzida entre o século XVII e início do século XVIII.
Depois da Reforma Protestante, a Igreja Católica, como grande financiadora da arte, procurou disciplinar a arte sacra. Ao mesmo tempo, a igreja procurou mostrar o triunfo da fé católica em construções suntuosas, ornadas por imagens que deveriam persuadir os fiéis ao retratar as passagens bíblicas com emoção.

Na arquitetura, o estilo barroco manifestou-se em palácios e igrejas. Há a libertação das formas clássicas com o uso de efeitos volumétricos e formas côncavas e convexas. Também percebe-se a exploração de contrastes de luz e sombra, a contradição de espaços cheios e vazios e o apelo teatral das construções. A arquitetura é integrada com a escultura e a pintura. Alguns exemplos na arquitetura são a Basílica de São Pedro e a igreja San Carlo alle Quattro Fontaneem, em Roma, o Castelo de Vaux-le-Vicomte e o Palácio de Versailles, perto de Paris.
As esculturas mostravam personagens bíblicos por vezes em um cenário pintado (ou esculpido) para aumentar o efeito teatral e invocar as emoções dos os fiéis. Era uma ferramenta de evangelização. No barroco foram produzidas estátuas de roca: os personagens bíblicos eram preparados para uma procissão. Com roupas de tecido, seus olhos poderiam ser de vidro ou cristal (com lágrimas de resina) e algumas tinham membros articulados, como marionetes, para aumentar o efeito dramático e apelativo do espetáculo teatral.

Na pintura os artistas usavam muito o contraste entre luz e sombra, mostrando domínio completo da técnica da luz e profundidade, o que poderia aumentar o dramatismo das obras. Em países católicos, esta habilidade era financiada pela igreja católica para comover os fiéis transformando os textos da bíblia em realidade. Já em países protestantes, são comuns as naturezas mortas, os retratos dentro de casa e as paisagens, sem perder o dramatismo.
Nos tetos foi explorada a profundidade, a continuidade do espaço e a ilusão de ótica.
Na literatura, há diferentes estilos originados a partir do barroco. Como exemplos podemos citar o conceitismo (jogo de ideias) e o culteranismo (jogo de palavras). As figuras de linguagem eram formas de demonstração de bom gosto e erudição. Surgiram os escritos em forma de crônicas e também havia poesia sacra.

No teatro, os cenários geralmente eram feitos com pinturas tridimensionais. As histórias seguiam o padrão linear de tempo e espaço, sendo desenvolvidas em um mesmo local, no mesmo dia. Surgiu o formato ópera, que unia representação, música, dança e efeitos especiais. Além da ópera, havia a comédia e o teatro sacro. O desenvolvimento do teatro nessa época é diferente em cada país influenciado pelo estilo barroco.
A música no período barroco teve várias mudanças significativas. Os instrumentos foram aperfeiçoados, assim como a técnica vocal. A dissonância era usada como recurso expressivo e a doutrina dos afetos (a música materializa sentimentos) tinha grande importância. A sonata e o concerto (gêneros apenas instrumentais) também surgiram no barroco.
Dentre os mais conhecidos arquitetos podemos citar Bernini (também escultor), Vignola, Borromini e Pietro de Cortona (também pintor). Na escultura, além de Bernini, há exemplares do artista Pierre Legros. Os pintores mais famosos deste período são Caravaggio, Andrea Pozzo (também pintor, ligado à igreja católica), Rembrandt, Velázquez, Annibale Carracci, entre outros. Na literatura, merecem destaque La Fontaine e John Dryden. Na música, alguns expoentes são Bach, Vivaldi e Giacomo Carissimi.

Um comentário

  1. Adorei o conteudo, muito bom.

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