Curso História da Arte Medieval

Chamamos de arte medieval as manifestações artísticas produzidas no período da Idade Média, que começou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C. e terminou em 1456, quando os turcos otomanos conquistaram Constantinopla.
A Idade Média refere-se aos acontecimentos no continente europeu, não podendo ser generalizada. Existem dois estilos marcantes na Idade Média europeia: o românico e o gótico. Mas, para entender as origens destes estilos, vamos antes estudar outras manifestações culturais da época: bizantina, islâmica e germânica.
As expressões artísticas da Idade Média, também chamada de Idade das Trevas, seguiram a dominação do cristianismo. Depois de aceito pelo Império Romano, o cristianismo teve influência social, política, econômica e cultural na vida das pessoas.
A Idade Média ficou conhecida também como Idade das Trevas não só pela ruralização e austeridade, mas também pela “peste negra” (bubônica). Durante o século XIV, a epidemia de peste matou mais de um terço da população europeia. Afetou também a China e o Oriente Médio.
Com as constantes batalhas causadas pelas invasões, o povo começou a trocar as cidades pelos campos, protegidas pelos donos das terras. Assim surgiu o feudalismo: sistema de trabalho em que os camponeses trabalhavam nas terras do senhor feudal e para ele entregavam parte da produção em troca de proteção.
Neste período, quando o poder foi descentralizado, cada senhor feudal tinha sua autonomia e era amparado pela autoridade dos bispos, que assumiram o papel de “juizes”. Uma sociedade construída nestes parâmetros explica o fato de a arte ter-se voltado para a difusão da fé cristã.

Arte Bizantina
Arte bizantina foi a arte produzida na cidade de Bizâncio, renomeada Constantinopla e atual Istambul, na Turquia. Ela era a sede do Império Romano do Oriente.
Assim como a fé cristã, a arte bizantina também teve grande expansão geográfica. O estilo bizantino reúne elementos do estilo clássico da Roma antiga com as influências do Oriente, inclusive do Egito.

Na arquitetura, igrejas com várias cúpulas (tetos hemisféricos) e fartamente decoradas eram exemplo deste estilo. A igreja de Santa Sofia (hoje museu), um exemplo da arquitetura da época, exibe mosaicos dourados e mármores policromáticos.
As pinturas (afrescos) e os mosaicos tinham a função de ensinamento da fé cristã. As esculturas limitavam-se a baixos relevos decorativos nas igrejas. A arte bizantina, essencialmente religiosa, teve maior expressão na arquitetura.

Arte Islâmica
O islamismo foi fundado pelo profeta muçulmano Maomé e teve influência não só no Oriente Médio, mas também em países da Europa e da Ásia. A arte islâmica teve abrangência na arquitetura, música, literatura, teatro e artes visuais. A caligrafia também é considerada arte para os islâmicos.
Na arquitetura, a arte islâmica foi expressa em diferentes tipos de edificações. As mesquitas tinham colunas esguias e cúpulas decoradas com mosaicos ou arabescos (geometrias que remetem a formas de plantas). Perto das mesquitas eram construídos os minaretes: torres cilíndricas ou octogonais que chamavam os fiéis para as orações. Outras construções que merecem destaque são as madraças (escolas islâmicas) e as arrábidas, fortalezas com função de mosteiro e auxílio para a guerra santa.
A tapeçaria teve importante papel na arte islâmica. Os tapetes eram usados para a decoração e para rituais religiosos, já que os fiéis precisam se ajoelhar, mas não podem ter contato com o chão. Os trabalhos em cerâmica, vidro, metais, marfim e madeira foram desenvolvidos em determinadas épocas do período medieval, mas não foram constantes.

Os mosaicos em forma de arabesco mantiveram seu espaço em diferentes épocas e estilos. A importância dos arabescos para os islâmicos tem conotação religiosa, já que eles acreditam que certo padrão na disposição  das formas simboliza o infinito. Esta arte abstrata foi produzida por diferentes povos que faziam parte da comunidade islâmica.
As figuras humanas e animais, quando retratadas, não estão ligadas à religião. A representação de textos religiosos com o uso da figura humana é proibida. O Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) é decorado com figuras geométricas coloridas e caligrafia elaborada.
Na literatura, há exemplares em poesia e prosa, com textos de cunho didático, popular e literário. Os registros estão nas línguas árabe, persa, turco e urdu, dependendo da origem das obras literárias. Da pintura, há poucos exemplares remanescentes: alguns afrescos em palácios.
Durante cerca de setecentos anos (aproximadamente do séc. VIII a XV) a península ibérica foi dominada por islâmicos. A arte produzida nesta época é chamada de arte hispano-muçulmana ou arte mourisca. A Mesquita-Catedral de Córdova e a Alhambra de Granada são exemplos da união dos estilos islâmico e espanhol.

Arte dos povos germânicos
A arte dos povos germânicos influenciou a arte do continente europeu de diferentes formas, dependendo da época.

Arte visigótica
Os visigodos ocupavam a Península Ibérica antes da chegada dos muçulmanos e tem estilos característicos de arquitetura, artesanato e escrita. Convertidos ao cristianismo, os visigodos construíram várias igrejas, como a Sant Cugat del Vallès e a San Pedro de la Nave, na Espanha. Na ourivesaria, cruzes de ouro decoradas com pedras e pingentes.

Arte hiberno-saxônica
Há registros também da arte hiberno-saxônica ou insular, que são as manifestações artísticas das Ilhas Britânicas depois do Império Romano. Exemplares são iluminuras, manuscritos, trabalhos em metal e a característica cruz enorme de pedra esculpida.

Arte anglo-saxônica
Já a arte anglo-saxônica compreende o período posterior às invasões dos vikings e anterior ao estilo românico. Há exemplos em tapeçaria (como a de Bayeux), afresco, metal, vidro e pedra.

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