Curso de Hipnose

LIÇÃO XI

As sugestões pós-hipnóticas. -Entre os numerosos fenômenos do hipnotismo, nada surpreende tanto ou deixa perplexo o espectador como as sugestões pós-hipnóticas. Mas se quereis estudar com cuidado o capítulo que trata da memória semi-consciente, tereis logo a prova desse notável fenômeno. Elas dependem da perfeição da memória, que é um atributo do espírito semiconsciente

Como dar as sugestões pós-hipnóticas. -Para dar uma sugestão pós-hipnótica, o operador dirigir-se-á ao paciente pelo modo seguinte, quando este estiver dormindo profundamente: “Dez minutos depois que eu vos tiver acordado, sentireis um desejo ardente de pôr o vosso chapéu e de voltar para casa. Tomareis, pois, o vosso chapéu e pô-lo-eis na cabeça; esquecereis imediatamente o que vos propusestes a fazer e permanecereis na cadeira, falando-me com o chapéu na cabeça. Não sabereis que vos sugeri que fizésseis isto”. No tempo marcado, dez minutos depois do seu despertar, o paciente olhará fixamente em redor de si para tomar o chapéu e, depois de tê-lo achado, o porá imediatamente na sua cabeça e tomará lugar de novo na sua cadeira. Se o interrogais, vos dirá, com toda a sinceridade, que ele não se mexeu de sua cadeira e que o seu chapéu não está na cabeça. Se lhe tirais o chapéu e lho mostrais, por um instante não ficará persuadido, mas, recobrando as suas idéias, confessará que tentou regressar à casa dele.

O paciente pede excusas pelo seu procedimento. -É o que ele dirá para vos convencer de que as vossas sugestões não influenciaram até o ponto de fazê- lo realizar um ato inteiramente alheio à sua consciência. Ele ficará sabendo que, posto que não se lembre do que lhe dissestes, praticou evidentemente uma coisa extravagante, de conformidade com as vossas sugestões. Notareis, neste caso, e invariavelmente em todos os outros, que o paciente ficou de tal modo vexado de parecer uma simples máquina que obedece às vossas ordens, que ele trata de se excusar por todos os meios, de forma que vos faça acreditar que ele sabia perfeitamente o que estava fazendo. Neste caso, ele realizou uma sugestão pós-hipnótica e como esta linha de experiências admite um grande número de variações, será bom examina-1as aqui, sob suas várias fases.
O que se chama hipnotismo instantâneo. – Dou aqui outro exemplo da forma mais conhecida da sugestão pós-hipnótica, a qual é a mais freqüentemente empregada e de que os operadores de profissão se servem invariavelmente em cena. Se dizeis ao paciente, quando está hipnotizado: “Logo que eu entrar no quarto, adormecereis, seja qual for a vossa ocupação no momento”, o efeito é como o sugerido; quaisquer que sejam as ocupações do paciente, ele cairá profundamente adormecido, desde que o operador entre no quarto e lhe ordene que durma.

Onde reside o perigo. -Pois que falamos desse paciente, podemos indicar onde se acha o perigo quando o operador não pode acordar o paciente que ele hipnotizou. A falta recai inteiramente sobre n operador, como acima indiquei. Se tratais de imprimir sobre o espírito do paciente uma sugestão qualquer desagradável à sua índole e que a não aceite, uma vez acordado, ele fará uma das coisas seguintes: ou não se despertará imediatamente ou passará por um estado de sono mais profundo; em tais conjunturas, as vossas sugestões não teriam efeito visível sobre ele. Recusararia acordar-se e não poderieis chegar a este resultado por nenhum dos meios ordinários postos em ação para acordar uma pessoa adormecida.

O que se deve fazer em semelhante caso. -Se vos sucede encontrar-vos com um caso semelhante, a única coisa a fazer seria abandonar o paciente a si mesmo, permitindo-lhe sair da sua letargia e acordar-se quando bem lhe parecesse. Não procureis despertá-lo nem consintais que alguém o toque.
Podeis pôr a vossa mão sobre a sua fronte e dizer, com autoridade: “Como vejo que não desejais acordar-vos agora, podeis dormir por tanto tempo quanto vos aprouver e, quando despertardes, sentir-vos-eis perfeitamente bem e completamente curado da vosso nervosidade. Não sentireis nenhum mal-estar deste sono e podeis acordar-vos quando bem vos parecer”. Se então deixais o vosso paciente a sós, a natureza recuperará o seu curso e, das profundezas da vida semiconsciente, o reconduzirá à superfície. Ao despertar, não sentirá, pois mal algum por isso.

18 comentários

  1. Jeferson martins

    Quando começei fazer teologia começamos aprender algumas coisa sobre a hipnose e hoje tenho bastante aprender sobre isso acho profundamente muito bom e sei que a niveis muito importantes para todos que tem bom coração e uma mente aberta para ajudar. parabéns pelo curso.
    continue sempre ajudando o caminho é esse mesmo.

  2. Rafael Reiter

    Olá
    gostaria de saber sobre as referencias bibliográficas,
    para me aprofundar mais sobre o assunto

  3. Guilherme

    Parece bom…

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